A hipocrisia coletivista

A humanidade vive em ciclos, no que diz respeito à organização social. Há eras de valorização do indivíduo como ser livre, independente e pensante, e há eras em que a necessidade da segurança coletiva sobrepuja o homem. Desde as eras selvagens, até a pré-história, depois passando pela Idade da Grécia e Roma antiga ao feudalismo europeu, do capitalismo à fatídica experiência comunista, e finalmente à era da democracia coletivista que vivemos atualmente. O fato é que a história vista de forma cíclica explica o que pode ser chamado hoje de "coletivismo". 

Ao longo das décadas anteriores ao ano de 2020, o que se via era a busca de cada indivíduo pelo seu sucesso, pela sua vitória. E verdade seja dita, sempre fora assim, mesmo nos períodos em que o coletivo foi priorizado em detrimento do indivíduo. Na pré-história, quando o homem deixou a vida selvagem para se organizar em famílias e vilarejos, precisava de que o grupo respeitasse regras que garantissem a unidade. Mas sempre havia indivíduos trabalhando em prol de si mesmos. Não diferente, no feudalismo, a despeito dos agrupamentos sociais serem servis, formados por grupos de pessoas compromissadas com uma aristocracia real, dentro de cada grupo, cada indivíduo via aquilo melhor para si, e por vezes, alguns tentavam quebrar a estagnação social da época. Por fim, o comunismo que vislumbrara a ideia de um coletivo respeitador e "livre de instrumentos de dominação" como a religião, as classes sociais, e a divisão do trabalho, sempre tinha aquele ser humano que almejava mais do que sua "função social".

Tudo isso representa a eterna briga pelo equilíbrio social entre liberdade e segurança. A liberdade em excesso leva à anarquia, descontrole, caos e retrocesso humano. A segurança demais leva à estagnação, autoritarismo, hipocrisia social e supressão do ser humano. E dentro desse pêndulo social, hoje vivemos uma guinada para o lado da segurança coletiva em detrimento das liberdades individuais. Por ser uma análise mais distante e fria dos fatos, não será emitido juízo de valor aqui, cabe a você, leitor, analisar o que preza mais. Analise se a pandemia que é vivida pela raça humana hoje, justifica que as liberdades sejam suprimidas em nome da segurança coletiva. Pois é exatamente esse o dilema vivido. Saia um pouco da caixa que os canais de comunicação querem te colocar e pense: Devo eu abrir mão das minhas liberdades por que dizem para mim que é preciso em prol do coletivo?

Após essa reflexão, cabe salientar duas características comuns dos períodos humanos coletivistas: A hipocrisia e a estagnação social. A hipocrisia é o fator fundamental para controle social. Hoje frases viraram lugar comum como: "Vidas primeiro, economia depois"; "pessoas mortas não produzem"; "fique em casa"; "precisamos ter empatia". Essas frases são uma espécie de mantra hipócrita para que as pessoas creiam que, ao respeitar o que dizem, trarão resultados efetivos para a segurança do coletivo. Porém, há o segundo aspecto do coletivismo, a estagnação social. Ao longo da história humana, não houve momento de maior mobilidade social do que na era liberal-capitalista. Pessoas que enriqueceram e ascenderam, e também muitos que perderam e caíram, e outros que ficaram ali no meio de tudo isso, mas com certa movimentação dentro dos segmentos sociais. Isso, sempre controlado pelo mínimo de ordem e garantia da manutenção da organização social dentro das regras.

As regras sociais, classes, ordem, jamais foram eliminadas ou pretendeu-se eliminá-las na era liberal, apenas foram flexibilizadas. Porém cabe observar que não foram harmonizadas com o coletivismo tampouco. A verdade é que o coletivismo sempre frisou e congelou a sociedade, evitando a ascensão ou decadência social, isto é, os pobres e servos sempre pobres e servis, e os ricos e dominadores sempre bem abastados e no controle. Nas tribos antigas tinha-se o chefe familiar que ditava tudo para o restante, em sua posição inabalável. No feudalismo europeu foi a vez da aristocracia, da realeza se colocar em posição inatingível pelos vassalos, servos incultos e até pelos poucos comerciantes que existiam à época. No comunismo, o Estado era acima de todos, em prol da organização coletiva da sociedade, evitando a "dominação" entre trabalhadores e empregadores. A classe burocrática no Estado comunista foi dominante e detentora dos benefícios de estarem dentro do sistema, controlando todo o povo. Assim, não se observa mobilidade social no coletivismo ao longo da história humana, mas uma estagnação justificada pela hipocrisia coletiva de que o "todo é mais importante do que uma pessoa".

E qual é a conclusão de tudo isso? A conclusão é que após eras e eras, a humanidade ainda não conseguiu quebrar seu ciclo de dominação coletivista. Ainda não conseguiu achar o equilíbrio entre liberdade e segurança. Ainda se apega à ideia hipócrita que suprimir o indivíduo em prol do coletivo é necessário. Privar a pessoa de sair e fazer o que lhe aprouver é arriscado, pois esse ser humano poderá trazer riscos a outros. A humanidade não conseguiu manter-se no equilíbrio, pois sempre que se há liberdade , haverá um ser humano que usará isso para dominar os demais. E existirão aqueles prontos a obedecerem e se curvarem ao seu dominador.

Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança. (Benjamin Franklin)

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