Arthur Lira é o novo Presidente da Câmara dos Deputados: Análise Política

 

Arthur Lira (PP-AL) é o retorno à velha política (se ela algum dia deixou de ser praticada). A eleição do novo Presidente da Câmara dos Deputados e 3º na linha sucessória presidencial pelos próximos 2 anos, é a representação de que a velha política nunca deixou de existir e que Bolsonaro entendeu isso a tempo. A despeito do fato que não seja o que o próprio Chefe do Executivo prometeu na campanha eleitoral, Bolsonaro despertou a tempo para essa insistência da velha política que demonstra somente uma coisa: O povo precisa aprender a votar. Avanços foram feitos nos últimos anos da era petista contudo, ainda é preciso se conscientizar sobre o voto para o Legislativo.

A velha política nunca morreu. Essa verdade foi esfregada na cara dos brasileiros nos últimos dois anos. O Presidente Jair Bolsonaro, na tentativa de cumprir sua promessa de não fazer o antigo "toma lá, dá cá", iniciou seu governo com as bancadas temáticas, tentando reunir grupos por temas (armas, agronegócio, conservadores cristãos, liberais, esquerdistas, etc.). Contudo, essa estratégia fracassou ante ao famoso e inescrupuloso bloco político conhecido como "Centrão". Um agrupamento de partidos que visam apenas seus interesses políticos e pessoais, independente do governo no poder. O ex-Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sabedor da estratégia do governo e político integrante desse centro, pela não cessão do Palácio do Planalto à velha política no início, viu uma possibilidade de usar isso para concentrar poder em si e esvaziar a influência do Executivo na Casa.

Era um plano bom no começo, e a pandemia veio para ajudar ainda mais essa estratégia do deputado conhecido como "Botafogo" nas planilhas de propina da Odebrecht. Interditar pautas importantes para o país e criticar forte o Executivo era o tom do Chefe da Câmara, era apenas oposição por ser opositor, sem pensar no que é importante para a nação. Porém, orientado pela sua base aliada, e conhecedor das manobras na Câmara, Bolsonaro reagiu a tempo. Começou a dialogar com o "Centrão" e cedeu alguns cargos de baixo escalão no governo para sinalizar uma aproximação efetiva. Finalmente, com o fim do mandato de Maia, o Palácio do Planalto articulou um apoio forte da sua base ao candidato, Arthur Lira, para assegurar a viabilidade governamental e o fim das políticas contra o Executivo do seu adversário. Ontem o sucesso foi obtido com uma vitória retumbante do candidato do governo contra o apoiado por Maia, Baleia Rossi (MDB-SP).

Reconhecido o êxito, não se pode negar que, para a pauta eleitoral de Bolsonaro, houve perda. O Presidente foi forçado a negociar com os políticos que tanto criticou e evitou no começo do governo. Porém a fala do brilhante economista e jornalista Rodrigo Constantino traz luz ao caso: “A política é a arte do possível”. A proposta de campanha do então candidato à Presidência, de não ceder às negociatas do Legislativo, era o cenário ideal. Contudo não se previa uma pandemia tão forte, e o ideário do governo perdeu nas próprias eleições de 2018 sem as pessoas se darem conta. A maior lição que se pode aprender não apenas desse retorno à velha política, mas de todos os problemas entre Executivo e Legislativo.

O povo precisa entender de uma vez por todas que os votos para Deputados e Senadores são tão importantes quanto para Presidente da República. É preciso acordar e votar certo, com coerência para os dois Poderes. Não adianta votar em Bolsonaro, e votar para deputado um tucano ou um petista. Ou então votar para Presidente um Doria da vida, ou um petista, e querer votar em branco, ou nulo para Senador e Deputado. Se você, eleitor, quer a mudança, mude seu voto. Pare de não se importar com cargos legislativos, e vote consciente, afinal, é o que você pode realizar para mudar o Brasil. Se em 2022, os votos para o Legislativo forem tão conscientes quanto para o Executivo, o país terá um futuro melhor e mais estável adiante.

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