A corda se rompe

 

A corda se rompeu. Não há mais como imaginar que ainda há alguma democracia ou liberdade de opinião no Brasil. Um sistema feito para eleger menos votados que não representam a nação, ordens absurdas de opressão do povo e uma ditadura estrangeira demitindo Ministros de Estado no país. Esses são os sinais da ruptura da liberdade e da democracia. E com um agravante: O momento em que ocorre. Momento que se percebe um Presidente fraco, incapacitado de agir sob ameaças e chantagens, que tentou lutar contra um sistema muito maior. E aqueles que poderiam segurar os dois lados para não deixar a corda romper, em um silêncio ensurdecedor.

Uma corda não se rompe do nada, ela precisa ser fortemente estressada para isso. E a verdade é que o modelo político brasileiro é aquele estresse diário que testa a democracia. Ela vinha "resistindo" a base de corrupção e conchavos que mantinham a pacificação política. A Procuradora Thaméa Danelon afirmou no programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, que nas últimas eleições, dos 513 deputados federais, menos de 40 foram eleitos por voto direto. Essa denúncia é crucial e expõe um sistema que em sua gênese fora viciado para privilegiar classes políticas perpétuas e evitar a tão desejada renovação política do Poder Legislativo.

Mas a tensão diária de um sistema viciado não foi suficiente para romper a corda, era necessário um estresse repentino e forte: Então veio a pandemia. Em uma defesa às medidas restritivas para "frear" a contaminação, prefeitos e governadores abusaram do poder (resguardados pelo STF e pelos meios de comunicação), fecharam comércios, prenderam pessoas, agrediram, puniram, multaram e outras ações mais. Com suas forças policiais, sob comando direto dos governadores, exerceram poderes que foram transferidos pelo Supremo do Executivo federal, para estados e municípios. Ordens absurdas para privar pessoas de liberdades fundamentais, o que levou ao episódio último na Bahia, no qual um militar da Polícia Militar surtou sob a forte pressão em cima dos integrantes da corporação, e falou palavras de ordens, mencionando sua recusa a "prender trabalhadores". Após negociação, o militar em surto reagiu aos colegas que o tentavam desarmar e foi morto. 

Ainda assim, uma república não é dominada sem minar a autoridade maior do país. Assim, o Chefe do Executivo é a principal liderança que guia os rumos da nação, e principalmente suas relações internacionais. Dessa forma, Bolsonaro colocou um homem forte a frente do Itamaraty. Ernesto Araújo nunca negou seu viés conservador ocidental. Favorável à democracia (algo não apreciado pela ditadura chinesa), o chanceler é forte crítico aos constantes desrespeitos de Pequim aos direitos de liberdade de pensamento e de pessoas. Não obstante, Araújo também é um forte opositor ao lobby chinês pelo leilão da internet 5G, o qual tem sido fortemente usado como chantagem por parte da China ao Congresso brasileiro. Há indícios de que a China ameaça restrições às compras de commodities brasileiras, caso não seja aprovada no leilão 5G. 

Nesse ambiente de ânimos acirrados e desesperança, a corda se rompe com um Presidente frágil. O Presidente Jair Bolsonaro começou seu governo com um ímpeto de mudança que ameaçava o sistema político e seus caciques. Assim, aos poucos foi desgastado e teve que ceder. Após ser ameaçado por diversas vezes de impeachment por um centrão corrupto, desejoso por ver suas negociatas e domínio retornarem, o Chefe do Executivo abriu mão de Ministros como Abraham Weintraub, e agora é chantageado novamente pelo Legislativo para retirar o Chanceler do Itamaraty. Nesse cenário, desgastado por um sistema corrupto e vil, Bolsonaro vê a corda se romper com pouco a ser feito. Até porque, aqueles que poderiam agir, as Forças Armadas. ficam apáticos, mudos e aparentemente não têm nenhum interesse em restaurar um verdadeiro Estado Democrático de Direito. O povo não foi deixado à própria sorte, mas foi entregue ao seu algoz, o Estado corrupto. 

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